08/10/2011

Tomas Tranströmer – Nobel da Literatura 2011

06Out11


O poeta sueco Tomas Tranströmer é o Prémio Nobel da Literatura de 2011, acaba de ser anunciado em Estocolmo pela Academia Sueca.


TOMAS TRANSTRÖMER nasceu em Estocolmo, em 1931. É o poeta sueco mais traduzido em todo o mundo. «O meu pão diário é Quatro Quartetos de T. S. Eliot, que mastigo deliciosamente entre os dentes», afirmou um dia. Na sua poesia, plena de imagens que aludem ao mar e ao longínquo norte - imagens por vezes fantásticas, de inspiração post-surrealista - é perceptível o forte apelo que a natureza tradicionalmente exerce sobre a escrita dos poetas escandinavos. Tranströmer vive presentemente numa ilha, longe dos olhares do mundo e dos meios de comunicação social; anteriormente havia sido psicólogo, particularmente dedicado à readaptação de delinquentes juvenis. Em 1990 sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou em parte afásico e hemiplégico. Continuou, porém, a escrever tendo publicado mais três obras.

POEMA SOBRE LISBOA

LISBOA

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?

Tomas Tranströmer
tradução de Luís Costa

03/10/2011

Mês Internacional da Biblioteca Escolar | Outubro 2011

O Mês Internacional da Biblioteca Escolar foi aprovado pelo Conselho IASL em Dezembro de 2007, com o objectivo de celebrar a importância das bibliotecas escolares nas diversas comunidades educativas. Assim, em Outubro de cada ano, dedica-se um novo tema para se sensibilizar a comunidade escolar para a importância da Biblioteca.


Visite e participe nas atividades desenvolvidas pela BE.

29/09/2011

NATIVOS DIGITAIS ...



Mensagem final do video:


Uma coisa é certa! Os nativos digitais são a realidade e estão nas escolas.
É preciso vencer as resistências e encarar esta nova realidade para entender esta geração de nativos digitais, que serão o nosso futuro.
Temos que preparar os jovens para enfrentar o futuro, não o passado!

07/06/2011

POESIA É LIBERDADE

Caravana VISÃO

Poesia é liberdade


A nossa viagem começou com um boa dose de poemas. Fomos a uma sessão de VOZ, em Santo Tirso, um recital pensado pelas Produções Fictícias para estudantes do secundário.


Texto: Luísa Oliveira Fotos: Marcos Borga
2:15 Quinta feira, 2 de Jun. de 2011

O ator João Lagarto, 56 anos, levanta-se, larga a sua pose blasé e agarra no microfone. "Poesia é um espaço de liberdade." Tem casa cheia. A plateia - alunos do secundário da escola Tomaz Pelayo, em Santo Tirso - espera pelas suas palavras. "Preciso de voluntários", arrisca logo no arranque. Tiago Pereira, 16 anos, avança, sem medos. Lê o poema que o ator lhe passa para a mão, sem gaguejar. Estamos numa sessão de Voz, um recital de poesia pensado pelas Produções Fictícias - já foi programa de televisão e agora vende-se um resumo em DVD - para cativar alunos para este tipo de literatura. "Os textos devem ser percebidos pelo coração e não apenas com a cabeça", ensina João Lagarto.

O discurso tem vindo a ser afinado à medida que passa por diversas escolas do País. "Agora vamos ouvir o mesmo poema dito por David Fonseca". Ouvem-se joviais suspiros femininos na assistência... Na parede branca aparece a cara do vocalista dos Silence 4. "Amar é uma eterna inocência", são palavras de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, há de explicar o ator. Assim se passa a hora seguinte, entre poetas, poemas e poesia. Ora ditos ao vivo, ora projetados, nas vozes de pessoas tão diferentes como João Reis ou Inês Castelo Branco.

Saem três meninas do auditório. João Lagarto força o silêncio, para mostrar desagrado. Nem por isso as entradas e saídas acabam. Soltam-se algumas palavras mais indecorosas quando Bocage vem à baila. E a mostra termina com Raul Solnado a dizer Fernando Pessoa, em forma de Liberdade. Ouvem-se palmas. E o professor de português, António de Sousa, ergue-se: "Tem mais um minuto?" João Lagarto cede o palco a uma espécie de improviso de alguns estudantes. Tiago volta ao palco, imponente, soltando palavras de António Gedeão. Seguem-se meia dúzia de outros alunos.

De repente, a sessão transforma-se numa espécie de Ídolos, versão poesia. No final, depois de Impressão Digital (outra vez Gedeão) na voz do professor entusiasta, há direito a autógrafos e fotografias com a estrela da tarde. João Lagarto apressa-se a sair. Ainda o esperam mais de 300 quilómetros até à capital. Acede a espreitar a nossa autocaravana, enquanto fuma um cigarro. Diz-nos que se sente apenas "uma vírgula, ou quanto muito um ponto de exclamação. O centro disto são os poemas projetados". Quase que apostamos que os alunos que acabaram de o ouvir não pensam assim.