04/12/2011

O POETA DO MÊS

A poesia anda na Escola

O poeta do mês

Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894. 
Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos.
Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporadicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, precursora do movimento de emancipação da mulher.   
Os seus três casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas em geral e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a ligavam fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. 
Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos. O seu suicídio foi socialmente manipulado e, oficialmente, apresentada como causa da morte, um «edema pulmonar».
(…)
Obra
Da sua obra apenas dois títulos foram publicados em vida
Livro de Mágoas (1919), 
Livro de Sóror Saudade (1923)

Postumamente foram publicadas as obras:
Charneca em Flor (1930), 
Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), 
Juvenília (1930), 
As Marcas do Destino (1931, contos), 
Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) 
Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). 
O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982. 

 
 Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
 Do que os homens! Morder como quem beija!
 É ser mendigo e dar como quem seja
 Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
 
 É ter de mil desejos o esplendor
 E não saber sequer que se deseja!
 É ter cá dentro um astro que flameja,
 É ter garras e asas de condor!
 
 É ter fome, é ter sede de Infinito!
 Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
 É condensar o mundo num só grito!
 
 E é amar-te, assim, perdidamente...
 É seres alma, e sangue, e vida em mim
 E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

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