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13/12/2012
O encontro com o escritor João Moura, no dia 20 de Novembro, turmas 12ºE1-2 e 10ºE1.
No dia 20 do passado mês de novembro,
na aula de Português, fomos assistir à apresentação do livro “Nos destroços de
um naufrágio” de João Moura, no auditório da nossa Biblioteca.
O mesmo vinha acompanhado por dois grandes amigos já do tempo do liceu,
nomeadamente, Simão Fonseca, crítico de Literatura, Música e Cinema, e Pedro
Torrinha, Economista. Vários alunos do 10º e 12º anos dos cursos de Ciências
Socioeconómicas e de Línguas e Humanidades leram poemas do seu livro,
escolhidos e preparados na aula de Português das respetivas turmas. João Moura
ficou agradavelmente surpreendido com tal receção. De seguida, falou um pouco
do seu livro e também do seu percurso literário. Aproveitou para nos mostrar
alguns vídeos ilustrativos de alguns poemas, que não se encontram neste livro.
Alguns alunos colocaram algumas questões/curiosidades, às quais o autor tentou
responder da melhor forma com a ajuda dos amigos que o acompanhavam.
Por fim, houve a habitual sessão de autógrafos e venda do livro.
03/12/2012
22/11/2012
O Poeta do mês: Manuel António Pina
A poesia anda na Escola
Manuel António Pina nasceu, em Sabugal, a 18 de novembro de 1943 e
faleceu, no Porto, a 19 de outubro de 2012.
Foi jornalista e escritor, premiado em 2011 com o Prémio Camões.
Licenciou-se em Direito
na Faculdade de Direito
da Universidade de Coimbra e foi jornalista
do Jornal de Notícias durante três décadas,
tendo sido depois cronista do Jornal de Notícias e da revista Notícias Magazine.
No dia em que completaria 69 anos de idade, o JN
recorda e homenageia o jornalista português mais premiado de sempre (como
escritor e cronista):
“Em 1971, no mesmo ano em que se torna jornalista
profissional, MAP publica quatro poemas. São editados em "O armário",
publicação feita em estêncil, com João Botelho e Manuel Resende. É também a
poesia que lhe dá o primeiro dos dez prémios que recebeu. Em 1978. Depois,
obteve mais três prémios específicos: em 2002, 2004 e 2005.
Pode dizer-se que MAP pensava em poesia, construindo a
cidadania numa constante problematização dos processos da linguagem. A
consagração máxima obtida com o Prémio Camões, em 2011, expressa esta dimensão,
convergente no escritor e no jornalista.
O Prémio Camões 2011 assinala o "percurso
coerente" de MAP, apesar de ser "a coisa mais inesperada que eu
poderia esperar" (como disse na altura). Para a atribuição da maior
consagração literária em língua portuguesa, o júri teve em consideração "a
originalidade e diversidade do conjunto da obra premiada". Fora de
dúvidas: foi uma unanimidade sem equívocos.
Tornou-se no jornalista português mais premiado de
sempre (como escritor e cronista).
Pela sua obra poética, recebeu três prémios
específicos, em vida. Mas, a poesia é para MAP muito mais do que prémios. É a
casa, ou seja, "um sítio onde pousar a cabeça".”
JN – 18 de novembro de 2012
A sua obra incidiu principalmente na poesia e na
literatura infanto-juvenil, embora tenha escrito também diversas peças de
teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao
cinema e TV e editadas em disco.
A sua obra se difundiu em países como França (francês
e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca,
Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.
A 9 de Junho de 2005 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Carta a Mário Cesariny No Dia Da Sua Morte
Hoje soube-se uma coisa
extraordinária,
que morreste. Talvez já to tenham
dito,
embora o caso verdadeiramente não
te diga respeito, e seja assunto
nossos (sic), vivo.
Algo, de facto, deve ter acontecido
porque nada acontece, a não ser o
costume,
amor e estrume; quanto ao resto
tudo prossegue de acordo com o
Plano.
Há apenas agora um buraco aqui,
não sei onde, uma espécie de
falta de alguma coisa insolente e
amável,
de qualquer modo, aliás, altamente
improvável.
Depois, de gato para baixo, mortos
(lembrei-me disto de repente
agora que voltaste malevolamente a
ti)
estamos todos. A gente vê-se um dia
destes por Aí.
Manuel António Pina
Completas
A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.
E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.
Manuel António Pina, in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”
A um Jovem Poeta
Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser
que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças
como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.
Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.
Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"
A um Homem do Passado
Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?
Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.
Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.
Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"
O Medo
Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.
É a sua morte que eu vivo eternamente
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.
Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?
Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"
A Poesia Vai Acabar
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
Algumas Coisas
A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.
Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.
O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.
Manuel António Pina, in "Aquele que Quer Morrer"
Aos Filhos
Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.
Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?
Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.
Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!
Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.
Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?
Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.
Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!
Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde
Saudade da prosa
Poesia, saudade da
prosa;escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.
E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava
senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,
o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?
Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma
Lembrança"
08/11/2012
Outubro, foi o "Mês Internacional das Bibliotecas Escolares"
Foram várias as atividades promovidas pela BE. Aqui vão algumas relatadas pelos próprios alunos, relacionadas com a formação de utilizadores e as literacias:
No dia 19 de
outubro, durante a aula de Português, fomos à descoberta da Biblioteca Escolar
para sabermos como funciona. Fomos com a professora Fernanda Silva e, quando lá
chegamos, o Coordenador da Biblioteca, o professor Daciano, recebeu-nos de
forma acolhedora.
Para começar,
o nosso «guia» fez uma breve apresentação do funcionamento e do regulamento
daquele espaço, levando-nos a interagir nessa apresentação.
Seguidamente,
fomos visitar os diferentes locais da Biblioteca, como por exemplo, a zona
multimédia, a de leitura formal, a de leitura informal, a de trabalho de grupo
e, por fim, o auditório onde nos foi proposto que visitássemos virtualmente
aquela valência da escola, através do seu blogue, do Facebook e do Twitter para
conhecermos as suas novidades.
Para terminar
a visita, fomos dar uma «espreitadela» ao arquivo porque queríamos ver as relíquias
que lá se encontravam.
Foi uma visita
interessante e agradável que provocou em nós vontade de conhecer melhor a nossa
Biblioteca e de sermos frequentadores assíduos.
Texto
elaborado pelos alunos do 7º C com colaboração da Professora Fernanda Silva
07/10/2012
O POETA DO MÊS: Fausto Guedes Teixeira
A poesia anda na Escola
2012/2013
O poeta Fausto Guedes Teixeira nasceu na
freguesia de Almacave, em Lamego, em 11 de Outubro de 1871, filho de José
Augusto Guedes Teixeira e de sua esposa D. Leopoldina de Queirós Guedes, que
haviam casado em 1868. O pai, falecido prematuramente, foi político influente
(presidente da Câmara de Lamego, governador civil de Viseu e depois do Porto,
deputado às cortes) e também empresário. O casal teve três filhos: Augusto,
Fausto e Leopoldina Ema. Após o ensino primário, Fausto Guedes Teixeira iniciou
aos 10 anos os seus estudos no Colégio de Campolide. Todavia não suportava
muito bem o afastamento da mãe, e três anos depois vemo-lo de novo em Lamego a
estudar no Colégio Roseira. O seu desejo era ser oficial da Marinha, mas o pai
persuadiu-o a tirar Direito, como ele próprio, e assim em 1890-91 é aluno do
1.º ano da Faculdade de Direito, em Coimbra. Sem vocação para as leis, não
obteve aproveitamento em diversos anos do curso, mas acabou por se bacharelar
em 1898. O seu gosto era outro: a boémia, a contemplação das doces paisagens de
Coimbra, a atividade literária. Abusa do absinto que o viria a pôr, mais tarde,
em Lisboa, à beira do delirium tremens. Interrompe ainda o curso em
1895 e parte para o Brasil, munido de uma carta de apresentação de Eça de
Queirós, decidido a fazer carreira no jornalismo. Mas a doença (febre amarela)
e a inadaptação fizeram com que a estadia fosse curta (menos de um mês) e
regressou aos estudos. Em 1899, já formado, encontramo-lo em Lisboa à procura
de emprego. De compleição débil e enfermiça – Trindade Coelho referiu-se-lhe
usando a expressão: «um passarinho» – continua a fazer uma vida de boémia e a
frequentar lugares onde se reuniam os jovens literatos e artistas. É despachado
ajudante de conservador em Loulé, cargo que exerce efemeramente, pois em 29 de
Outubro, treze dias depois de casar com D. Margarida
Braga, irmã do seu grande amigo e condiscípulo Alexandre Braga (Filho), parte
com a esposa para Moçambique, onde o espera o cargo de Secretário de Governo do
Distrito de Lourenço Marques. Como no Brasil, é uma estadia curta, devido à
doença e inadaptação ao clima. Em 1900, está de novo em Lisboa, onde
experimenta dificuldades financeiras.
01/10/2012
Outubro 2013 | Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.
Outubro 2013 | Mês Internacional da Biblioteca Escolar.
Esteja atento às várias atividades da BE, durante o mês de Outubro. Participe!
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